HISTÓRICO SOBRE OS
RESULTADOS DE REGATAS
VELA BRASILIA
CRITÉRIO DO BICO
DE PROA
Nos idos de 1994 quando eu comecei na
vela de Brasilia, um dos pontos complicados que existiam era a apuração e
divulgação dos resultados das regatas.
Nestes primórdios da vela candanga,
as regatas tinham um formato de BICO DE PROA, não importando o tamanho nem a
classe do barco. Sendo cabinado, eram todos iguais.
Os resultados eram apurados no
papelzinho Que era anotado pela CR e que quando em terra daria forma à
premiação do evento ou à classificação do mesmo.
Eram momentos de angustia que o
organizador do evento fazia com aqueles dados, que ficou apelidado de RESULTADO
REXONA.
Como o resultado que era extremamente
cobiçado e mantido sob sigilo de todos até a hora da premiação onde um monte de
velejador ficavam assediando o organizador para saber qual a sua colocação.
CRITÉRIO DE EQUIPARAÇÃO POR RATTING
Com a evolução, as regatas passaram a
ter um critério de EQUIPARAÇÃO onde eram apurados os TMFAA e os RATTINGS
levando em consideração medições e cálculos de cada barco.
O processo era bem complexo e se
baseava em uma regra de equiparação que veio do SUL, chamada de RGS – REGRA
GERAL SIMPLIFICADA. Consistia em uma planilha contendo todos os valores de
medição dos veleiros, os quais seriam aplicados a REGRA RGS para no final se
obter o tempo corrigido e o resultado final agora com o tempo corrigido que
tinha o propósito de equiparar os barcos.
Filigranas do processo, vindo da
CR, o PAPELZINHO com o nome dos barcos e
os tempos REIAS de competição era entregue ao apurador que usava um computador
do clube para colocar os tempos reais e apurar o resultado final da regata.
Momentos de angustia novamente eram
elevados ao máximo, pois a demora de lançar e apurar o resultado final muitas
vezes atrasava a festa e fazia com que o operador do sistema perdesse a festa
alimentado por parcos salgadinho e cerveja quente numa salinha que dentro
ficavam 3 pessoas no máximo mas fora – todos os velejadores tentando captar ou
ver o que estava sendo feito.
Concluído o processo, saia o organizador
do evento com as folhas do resultado para dar inicio a premiação acompanhado de
um mutirão de velejadores para ver o resultado antecipadamente. Folclore à parte, existia a faze oculta, que
poucos faziam – pegar o resultado no clube para divulgar nos sites que se
propunham a fazer isso. Em primeira ordem foi o site do João Goulart –
ROCK’ROOL e depois no meu site – TEKINFIM, quando o João não mais fazia o processo.
Mesmo assim, os resultados eram e
planilhas editáveis e desta forma se manteve durante anos.
Os clubes mantinham estes resultados,
mas não tinham foco na divulgação dos mesmos.
Assim os anos foram se passando e
outras entidades da classe oceano foram criadas como a AVOB, que tinha o preceito de
gerenciar a RGS e publicar seus resultados para a grande massa de velejadores e
interessados. A AVOB teve seu ambiente criado e o objeto dos resultados
perseguidos e implantados. Mas por problemas administrativos foi abandonada.
MUDANÇA DA REGRA
Diante das dificuldades que a RGS
enfrentava no tratamento dos veleiros de regatas chamados puro sangue, uma
outra regra foi criada - A SMP2 que
tinha como foco a equiparação dos veleiro de regatas com os demais. A SMP@
vingou bem e trouxe novos padrões de calculo sobre as medições que aproximavam
melhor, coisa que a RGS não conseguia com maestria.
Ainda avançando sobre o foco
EQUIPARAÇÃO DE BARCOS, foi elaborado um grande estudo para que uma nova regra
fosse elaborada, contemplando os critérios da RGS e da SMP2 e ai surgiu a regra
BRAVO hoje em vigor em Brasilia – DF.
Ainda assim, o problema de apuração
persistia pois sempre ao final de cada regata o apurador tinha que transcrever
o tal PAPELZINHO para as planilhas de apuração, tanto da RGS como da SMP2.
foco total em ter um
sistema para isso, que pudesse ser apurado de qualquer lugar, com banco de
dados cumulativo e que comportasse os critérios de calculo da regra BRAVO que
passou a se a única em vigor no DF.
O trabalho de criação deste sistema
foi grandioso. O Leo Seger programou alimentou e abrigou o sistema que foi
criado com várias mãos atuando nas formulas e nos processos de apuração dos
resultados de regatas compilados pela REGRA BRAVO.
O Banco de dados foi alimentado em
primeira forma com resultados antigos, como fonte de arquivamento e comparação,
e os atuais compilados pela sistemática implantada no complexo sistema.
Nasceu o SARWEB - SISTEMA DE APURAÇÃO DE REGATAS VIA WEB.
Este sistema, que foi feito por
velejadores de Brasilia, hoje tem seu abrigo em plataforma gerida pela FNB e
ainda tem o LEO SERGER como mantenedor e implementador do mesmo.
O SARWEB ainda alçou voo para
comtemplar em seu bojo outras funcionalidades, focado sempre em atender à Vela
de Brasilia com o mais requintado produto tecnológico.
Para os que não conheciam – vai um
pouco de história de sucesso
Henrique Ammirábile – Henricão Agosto
de 2026
Henricão - 29 de agosto de 2022
IÇANDO O BALÃO
Ate a ponta do pau.
Álvaro Snibwiesky
PEDIDO DE UM FILHO AO SEU PAI
- Há alguns anos quando hospedado em um hotel na Bahia tive a oportunidade de entrar em contato pela primeira vez com um veleiro, um Laser, ainda posso lembrar a minha surpresa com aquele barco que não obedecia de imediato minhas vontades, como as lanchas que eu já conhecia, cresci passeando em uma potente lancha de motor de centro, seis cilindros de exagerada potência que obedecia de imediato qualquer comando.
- O veleiro não . Era tudo diferente, eu queria ir para um lado teria que puxar o leme para outro lado ... eu queria ir agora e só ia quando ele queria ... eu queria ir direto mas ele só ia em zig-zag ... eu queria parar e ele não parava ... eu queria isto, eu queria aquilo e ele TÉÉINNNN me deu uma retrancada na cabeça para eu largar de ser teimoso, como fazia com um cascudo na cabeça dos alunos, os professores do tempo de nossos avós . E eu comecei a prestar menos atenção as minhas vontades e comecei a prestar mais atenção nele, o veleiro.
- Esta primeira experiência me deixou uma desafiante impressão e pouco meses após, eu em Brasília, comprava através de um telefonema como meu pai em Vitória, um Laser na Mesbla . Ainda me lembro os sorrisos de gozação do Cajatí, do Mauro e do Ziga quando eu desembrulhava o casco do meu Laser no galpão do Iate . O barco era diferente, mais largo, parecia maior e mais bonito ... meu Laser era na verdade um Holder, mais o que aquilo importava ? eu nem sabia direito o que era flotilha, regata, estas coisas, meu primeiro barco estava lá e eu logo sairia com ele para o lago, tirando fino logo de saída nos barcos que estavam ancorados no cais do Iate ... cuidado ! vai prá outro lado ! puxa a escota ! ... escota ? o que é escota ?? ... é esse cabo aí ! ... cabo ??? ... é, está "corda" aí !!! E logo por solidariedade ou diversão, meus primeiros amigos da vela tentavam diminuir minha confusão . E eu começava a aprender à aprender a velejar .
- Naquela época as regatas eram diferentes, as regatas festivas eram mesmo festivas, corriam todos os barcos juntos na mesma raia, Laser, Hobicat, 470, veleiros de oceano ... e lá fui eu para a longínqua raia sul participar da minha primeira regata depois de muito encorajamento do Cajatí ... vai que é simples, é um percurso triângulo barla-sota ... barla-sota ??? ... quando finalmente cheguei na raia, obviamente atrasado e me vi no meio daqueles veleiros todos que eu começava à admirar, me senti um observador privilegiado vendo tudo de perto, ali no meio da competição ... IVANNNN !! SÁAAI DA FREENNTE !!! ... era o Mauro berrando do alto de um veleiro que me pareceu enorme . E eu começava a aprender à aprender a competir em regatas . Regatas . Como é que eu podia competir em regatas se só existia três Holders em Brasília ?
- Compra um Micro ! É compra um Micro !! Micro ? Microtoner, aquele veleiro pequeno que parecia grande, velejava bem e não era tão caro . E alguns meses depois lá estava eu à bordo do meu Micro, o Moonsoon . Não, não era Musum, era Moonsoon, apesar de alguns insistirem em trocar seu nome para me provocar, e eu gostava muito dele .O Moonsoon era um professor irrequieto e temperamental, sempre com um cascudo-retrancada pronto à minha primeira desatenção ou teimosia . Me ensinou à ficar atento rapidinho ! Mas eu não me entendia muito bem com o Moonsoon, até que um dia surgiu para mim uma nova chance de aprender . O Ziga me convidou para compor com ele e o Fernando Boanes, a tripulação do Moonsoon no Campeonato Brasileiro de Microtoner que aconteceu em Brasília em 1995 . Ivan posso mexer no barco ? dar uma regulada ? Perguntou o Ziga .
- É claro fique a vontade . E antes que eu acabasse de falar o Ziga e o Fernando desmontaram o barco, e afrouxa daqui aperta dali, furadeira furando aqui e acolá e o barco se levantou diferente, tão diferente que na primeira regata chegou lá na frente, em primeiro, com toda flotilha atrás, inclusive os Micros de São Paulo . Eu me senti como que traído ! como pode este barco turrão andar com esta eficiência e leveza nas mãos do Ziga ... e eu logo percebi que o turrão era eu . O Ziga é um excelente professor, conversa pouco e ensina muito, me fez entender que primeiro entenda o barco para então não o atrapalhar, um bom barco quase que veleja sozinho, aí não há mais conflito só eficiência .
- E o tempo passou e vieram os filhos e as filhas, e as filhas são diferentes, não acionam o chafariz por cima do guarda-mancebo, elas precisam de banheiros . E eu comecei a procurar um bom banheiro à bordo, até que um dia passeava com meu filho e uma filha pelas mãos no cais do Iate, quando minha filha se soltou de minha mão e tchibummm ! mergulhou na piscina do cockpit de um Delta 26 novinho que acabara de chegar, era o Hookipa . A filha do Mauro encheu com a mangueira o cockpit do veleiro e estava lá toda contente . Para minha surpresa, o bom o humor e até a falta de ciúme com o barco novo demonstrado pelo Mauro, me chamou a atenção .
- Vem ! entra vem conhecer o barco ! e eu passei pela piscina e fui direto ver se aquele era o banheiro à bordo que eu procurava .
- Era melhor do que eu imaginava ! um bom banheiro, fogão, geladeira, até um camarote com porta na proa! .... Pai que casa legal !!! exclamou meu filho ao entrar no barco depois de mim . Voltei ao "deck"da piscina e ouvia o Mauro elogiar o mastro, a forma do casco, a performance ... e eu ainda não estava preparado para aquilo, eu só via a "casa legal".
- Que conforto ! Um ano depois chegou meu Delta 26, o Albatroz . Com o Holder eu aprendi que podia querer à aprender, com o Moonsoon comecei a aprender, mas com o Albatroz era tudo diferente, ele é um professor poderoso e calmo, tem paciência, me corrige suavemente, sabe esperar . Me ensinou a olhar suas asas, as que negociam com o vento ... aprendi a levantar a cabeça da minha mesa de trabalho e redescobrir que nossa cidade tem um belo céu, belas nuvens, ora grandes e brancas ora frágeis e longas como rendas .
- Reaprendi que as nuvens dependem dos ventos, que os ventos movem os galhos mais delgados de uma maneira e os mais fortes de outra, quando nos chega de diferentes direções, reaprendi à olhar os galhos, as folhas, as árvores de nossa cidade, reaprendi a levantar os olhos da minha mesa de trabalho .
- Me ensinou a olhar suas asas, as que negociam com a água, a quilha e o leme, quando das águas claras do nosso lago pode-se ver aquele vulto branco se movendo na transparência verde do Paranoá .
- Mais uma vez o Ziga subiu à bordo . Com o Ziga no timão o Albatroz chegou em primeiro na Regata da AABB .Ele voou suave e sem esforço . Na Regata JK 2000, apesar do peso da "casa legal" com TV à cores, geladeira elétrica, ventilador, coleção de revista da Turma da Mônica ... o Albatroz se moveu na interface vento e água com tal eficiência que deixou a flotilha lá atrás, chegando colado no fita azul . Na última Regata Solitário eu procurei seguir os conselhos do Ziga, interferi pouco e deixei o barco andar e novamente cheguei com a flotilha toda atrás, exceto pelo fita azul . O Ziga conseguiu em poucas lições me ajudar a não ter conflitos com o Albatroz e obter eficiência ao velejar .
- O Westone tem me feito a subversiva proposta de retirar o motor de popa que descansa no engate do Albatroz, regata após regata, sei até que aquele motor não combina com a nobreza de um veleiro ... mas não sou dono de meu tempo, não posso ficar ao sabor das calmarias, aos caprichos dos ventos ... meu tempo pertence as Luízas, aos Pedros, as Marianas, aos bebês que ainda estão para nascer ... se eu pudesse tiraria não só o motor mas também o celular e o bip da minha cintura, se eu pudesse ... Se compartilho com todos meu caminho no aprender a velejar é porque sei que se tivesse tido ao seu tempo um bom professor, apesar de muito divertido tudo teria sido mais breve e eficiente.
- É também por isto que estamos criando a E V V O D 26 - Escola de Vela em Veleiros de Oceano Delta 26, onde acredito que cada aluno(a) pelo seu caminho na arte de velejar vai reaprender a ver as asas de um Delta, reaprender a levantar a cabeça da mesa de trabalho e ver as nuvens, reaprender e entender o vento, reconhecer a força das rajadas pelas diferenças de tons de verde do Paranoá . E vai se tornar um bom regatista sem perceber, sem ansiedade e sem conflitos .
Ivan Malheiros.
- Gostaria de contar o acontecido conosco na volta da Regata Aniversário do Iate Clube.Após a regata, preparamos o Tekinfim para a volta, e o que parecia uma navegação tranqüila de volta para casa, se transformou em um complicado incidente.Quando já estávamos na altura do Projeto Orla, navegando pelo meio do lago, vimos aproximando rapidamente uma borrasca que entrava pelo "canal da Casa da Dinda".Procuramos logo nossos abrigos e os coletes, pois sabíamos que o barco molhado é um convite a tombos e poderíamos cair no lago.Procurei conduzir o Tekinfim mais afastado da margem que podia, contudo o vento forte logo encapelou o lago e ondas de quase um metro nos atingiam por bombordo. Com esta navegação, nosso motor, um "valente" Yamaha de 2 HPs, estava saindo da água constantemente, fato que provocou aquecimento e as paradas que eram eventuais acabou por tornar definitiva nos deixando seu propulsão.Márcia, proeira esperta que é, cantou certo o procedimento, "- VAMOS COLOCAR UMA VELA E SAIR DESTA".Minha intenção era abrigar o Tekinfm no pier do Hotel Lake Side, e mais uma vez acionei o motor sem sucesso. Neste momento, já não tínhamos mais como sair da encrenca. Lancei ferro para manter o barco longe da margem. Foi em vão. Só consegui manter o barco aproado por uns cinco minutos. As ondas eram grandes e o Tekinfim caturrava com tanta intensidade que acabou por arrancar o ferro do fundo. Eu não podia abrir lastro de cabo pois me faria chegar na margem e isso era o que eu não queria.Não tivéssemos como evitar o impacto da bolina no chão de lama, o que literalmente degolou o pino de segurança. (Eu uso uma válvula de motor com trava), A pancada também arrancou o leme, quebrando as travas de segurança.Não restava mais nada a não ser recolher a bolina, pular na água e recolher o leme que boiava, encalhar o Tekinfim na margem e pedir ajuda.Verificamos com calma as avarias e as condições de navegabilidade do barco. Nada de sériPelo VHF, pedimos acionamos a náutica do IATE CLUBE que prontamente mandou uma lancha que nos rebocou para o meio do lago.Recolocamos o leme no lugar mesmo sem a bucha inferior, levantamos uma buja e retornamos velejando com vento ao largo. Entretanto, sabia que corria o risco de quebrar o pino inferior do leme quando a velejada passasse a contravento pois sem a bucha de centralização o leme batia e fazia pressão no pino.Co receio desta avaria, já perto das obras da nova ponte, procuramos novamente ajuda, desta vez do CLUBE NAVAL que nos atendeu pelo VHF e mandou um reboque nos colocou em casa com segurança.Quero com este relato, parabenizar àqueles que com presteza, rapidez e atenção nos ajudaram neste momento difícil.Reconhecer o valor de uma grande proeira, que mesmo sabendo que ditou o procedimento certo, no momento certo, acatou a decisão de quem comandava sendo solidária em todos os momentos.
- o que nos impedisse de navegar.
- Henrique O.E. AmmirábileComandante do Tekinfim.
- Abril de 2001
Nós fomos programados (às vezes, nem tanto), gestados, e vem o nascimento, uma euforia, alegria pura !. E depois vem o amor, o carinho, a dedicação..
Depois a gente cresce, fica bobo e casa (alguns apenas "ficam"). Nesse ínterim, procuramos uma satisfação, um lazer, dentre uma imensa variedade de opções. Aí vem a surpresa: 22 pessoas pensam igual, dedicam-se ao iatismo e compram um Delta 26. E "nasce" um novo amor para cada um de nós.
O que é isso ? Delta 26 ?
Certamente um caso de amor. Talvez um pouco caro, mas nunca corrompido, sempre sincero e à sua disposição para passeios ao luar, até para o amor, e, também, para competições.
Uns mais afoitos, buscam alternativas para vencer ou vencer, outros "pequenas modificações" providenciais para vencer. Outros apenas competir, outros apenas curtir..... VIVER, ESQUECER O STRESS, ARREGIMENTAR AMIGOS.
Amigos ? Palavra mágica: A GRANDE RIQUEZA DE UM HOMEM. Como chegar lá ? Dando o primeiro PASSO e, este, com certeza, está muito próximo de um consenso. Algumas concepções precisarão ser desconsideradas, temporariamente adormecidas, em favor da maioria. Em favor da ALEGRIA E PRAZER de viver bem sobre o berço de nosso querido Lago Paranoá. E todos ficarão tristes se alguém nos abandonar. Queremos é crescer mais.
E derrepente surge um pacato velejador, que consegue agitar com brandura e fazer as coisas aconteceram por vontade global. Lhe deram um apelido de CAPITÃO ! E êle aceitou, e uniu polos conflitantes. Que beleza !
A grande dúvida agora é que descobrimos uma profissão nova para êle, que nem êle apercebeu-se. Seria um diplomata ?, um psicólogo ?, um poeta de finais de semana ? ou simplesmente um velejador de CORAÇÃO ABERTO ?
Médico êle, que médico ? Isso é para o mundo cão. Aqui êle é nosso Capitão.
Quantos mais de nós teremos a ousadia de ABRIR NOSSOS CORAÇÕES e procurarmos um consenso ? A alegria de viver um Delta 26 espera por todos. Quem se aventura ?
Parabéns nosso Capitão Poeta Ivan Malheiros! Continue assim! Acredite! É possível!
ABRIL DE 2001
Sábado meio chuvoso em Bali, recebemos de um amigo a informação para visitarmos o site do VELEIRO TEKINFIM.
O nome já ajuda e fomos lá !!!!!!
Hemorragias de prazer, além de ser muito interessante vocês irão se divertir, e tirem as criancas da sala, pois se a petizada resolve ficar brincando de pegar com o mouse o nome do TEKINFIM..... nao vai é sobrar tempo para ninguém usar a maquininha !!!!!
Além disto claro, o momento maior é que o ´ídolo do Henricão é o de todos nós .........
O GRANDE E INESQUECÍVEL AYRTON SENNA DO BRASILLLLLLLL !!!!!!!!
Vale a pena irmão por tudo e pela beleza e ainda tem mais, o Henrique é rápido como um raio................
Valeu irmão Henrique, abração para você e a ALMIRANTA MARCIA.....
- Esta pequena poesia surgiu quando meu amigo João Guilherme, após uma mensagem me disse:
- nunca deixe de falar a língua do vento.
- Ai pensei o que seria esta linguagem.
- Henrique O.E.Ammirábile
- Comandante do Tekinfim
- MIGUENS - UM AMIGO MESTRE
- Ola Pessoal.
- Aproveito este espaço para apresentar um texto, escrito pelo Zelão, que trasmite tudo a respeito de um amigo.
- Em nossas mentes teremos sempre a figura do Miguens, um tranquilão, afetuoso, preciso e acima de tudo um mestre
- Velejador experiente, deixa um vazio muito grande em todos nós.
- Esteja em paz amigo
- DIÁRIO DO NAVEGADOR PETER BLAKE ASSASSINADO NO BRASIL.
- UMA PÁGINA QUE NUNCA MAIS SERÁ ESCRITA
LOCAL: Rio Amazonas
SITUAÇÃO Ainda Navegando
CONDIÇÕES Agradáveis
TEMPERATURA DO AR 35 C
VENTOS 15 nós a leste
CONDIÇÕES DO MAR Moderado/encrespado
VISIBILIDADE ModeradaO entardecer fez com que a superfície do rio ficasse de um cinza gorduroso -- com o céu escurecendo rapidamente depois que as cores douradas e alaranjadas do sol se foram. Sempre esperamos que a noite seja clara, e hoje a lua vai surgir logo após as 9 da noite -- mas isto significa duas horas e meia de escuridão total antes disto.Há clarões de relâmpago pela frente -- o radar mostra uma faixa de chuva se estendendo dos dois lados do nosso curso. Há luzes de navios, tráfego de barcaças, balsas e pequenas cidades; e as chamas dos potes flutuantes marcando as extremidades das redes de pesca a serem evitadas.Uma brisa fresca sopra da nuvem de relâmpago e da chuva que não chegou ainda. A lua apareceu mas logo sumiu por trás das nuvens carregadas -- sentimos algumas gotas -- mas isto passa, deixando-nos em condições mais claras, a única brisa vindo da velocidade do barco.O rio hoje está calmo e plano -- às vezes fica agitado com sopros de vento das nuvens -- e se acalma novamente. Há um membro da tripulação na proa do Seamaster -- no posto de observação -- principalmente para grandes troncos de madeira, plantas boiando ou barcos de pesca sem luzes. Ele segura uma grande lanterna para checar de vez em quando.O vigia está em contato com a cabine do piloto -- onde a tripulação monitora os motores, checando de hora em hora a casa das máquinas, bombeando combustível, marcando nosso progresso na carta e controlando o radar e o receptor de profundidade -- os dois instrumentos mais úteis para esta viagem no rio. Pouco mais do que alguns minutos se passam sem uma mudança de curso para ficar na parte mais funda, ou evitar um banco de areia, ou passar uma ilha, portanto não há muito tempo para relaxar.Hoje há faixas de fumaça -- fumaça densa -- saindo de algumas enseadas para fora da floresta -- formando paredes por cima do rio. O cheiro da floresta queimando enche o ar -- e também nossas cabines.Dia:Durante o dia é mais fácil evitar os troncos e montes de vegetação, mas ainda é preciso observar de perto. Não velejamos há mais de dois meses -- mas isto deve mudar em breve quando virarmos à esquerda da embocadura do rio e entrarmos nos ventos alíseos -- no início da semana que vem, vamos torcer!Sentado aqui na proa vestindo apenas shorts, longe do barulho dos motores, com apenas o bater das ondas abaixo de mim, a sombra de nossos mastros e bandeiras na superfície do rio marrom é muito claro a bombordo. O sol não está mais a pino, mas dentro de três semanas estará no ponto extremo do sul e começará a volta de seis meses para o ponto mais ao norte.Um dia comum é de 3 horas de plantão e 6 de descanso -- mas comparado a uma viagem no mar, o stress é consideravelmente maior, por isso é bom recuperar as horas de sono sempre que possível e estar totalmente pronto para a noite novamente.Porquê:Novamente faço a pergunta: -- Por quê estamos aqui? Qual o objetivo de sair da Antártida em março, fazer reparos em Buenos Aires durante o inverno no sul, e fazer o longo percurso para o norte para passar algum tempo na Amazônia? A tecnologia nos permite levar esta (e outras) partes do mundo para lares e escritórios e salas de aula de forma quase imediata -- através da Internet e do nosso site, www.blakexpeditions.comSe estamos com calor -- então você sabe que é agora -- não a semana passado ou o ano passado. Se estamos preocupados, ou temos um problema -- é agora. Estamos transmitindo o que encontramos -- não de forma glamourizada -- simplesmente como é.Poderíamos ter vindo para cá de avião -- ficado algumas semanas -- e ido embora. Mas isto não nos teria dado a essência da Amazônia. Viajar no Seamaster significa que apreciamos a imensidade desta região aquática -- e em troca sentimos algo muito especial por ela. Quando encontramos pessoas, também têm uma noção diferente do que somos e porque estamos aqui.A qualidade da água e a qualidade da vida em todas as suas formas infinitas são partes críticas da saúde como um todo deste nosso planeta, -- não apenas aqui na Amazônia, -- mas em toda parte. Queremos que as pessoas recomecem a cuidar do meio-ambiente da forma como ele deve ser cuidado.Para vencer, você precisa acreditar que pode fazê-lo. Você estar apaixonado pelo que faz. Você realmente tem que ``querer'' o resultado -- mesmo se isto significar anos de trabalho. A parte mais difícil de qualquer projeto é começar. Nós começamos -- estamos a caminho -- temos uma paixão. Queremos fazer diferença.Saudações afetuosas, Peter
Redação 360Fonte: Canal de esportes Terra - Reuters- HOMENAGEM AO PROEIRO"Sujeito que tem de combinar a agilidade de um macaco com a força de um elefante, a vista de um gavião, o ouvido de um rato, a resistência de um banbu cortado em noite de luar.Deve possuir o pescoço de uma girafa para enxergar em volda da buja os barcos que navegam a sotavento e a capacidade de respirar até debaixo d'água.São preferidos os que possuem costas largas para fazerem as vezes de bode espiatório e que tenham quatro ou mais braços, com as respectivas mãos, estas delicadas, - tipo parteira, para desatar nós criminosamente atados por comandantes e imediatos de meia tijela.Deve saber torcer o pescoço horas a fio, sem descansar para "cantar" a buja; deve possuir um peso certo, com tolerância apenas de gramas, com uma carne insensível que lhe permita deitar em cima de olhais e escotas em bolinas cochadas que nunca mais terminan.Eremita que vive na proa de um barco a vela sem que possa, dedicar-se à idéias próprias, tendo que estar prestes a executar cegamente qualquer comando que soa do cockpit- mesmo que o mesmo se trate de mudar uma "asa de pombo" seis vezes em cinco minutos.Somente pode fumar e se alimentar havendo vento de popa, pois de outra forma a água o arrancaria do convés com sanduiches e o cigarro em dois tempos.É o sacrificado das regatas vitoriosas, pois, por motivo de economia incompreensível, não recebe medalhas, desaparecendo do palco depois de obtida a vitória com o esqueleto doído, os olhos inchados pela água do mar, a boca amarga, e as mãos rijas de tanto se agarrar, mas com o coração entornando porque...GANHAMOS !!!Este artigo é de autor desconhecido e foi publicado em janeiro de 1948 no Yachting Brasileiro, que foi uma revista famosa, importante e o único veículo de comunicação durante muito tempo no Brasil para o Iatismo ...
- Conta-se em dos preceitos ZEN que a verdadeira força é construída sobre o reconhecimento da própria fragilidade , pois ai não haverá a ilusória presença da prepotência .
- Da mesma forma a solidariedade e união são construídas sobre o reconhecimento do próprio isolamento. Não é por coincidência que a reestruturação da Flotilha Delta 26 surgiu no cais , ao término da Regata Solitário 2000 .
A Solitário não é uma simples regata , é um jogo de xadrez onde vence quem melhor planeja , quem antecipa o imprevisto , quem já sabe o que vai fazer, onde vai estar em cada momento da disputa , quem não esquece da própria fragilidade e assim se fortalece . A Solitário é uma regata na qual na véspera se dorme pensando nela .
A Regata Solitário não se corre só . Quem assim pensa vive uma ilusão . A percepção do próprio isolamento nos une e nos torna solidários , a flotilha segue tão em grupo como em nenhuma outra regata , ninguém começa , corre ou chega só , mas em grupo .- Ninguém deseja o erro de ninguém , pois o erro de um pode afetar a segurança do outro . Ninguém está só , em momento algum . Se alguém ainda duvida , por favor olhe de novo e com atenção a foto tirada no cais do Iate após a Solitário 2000 , acredito que ela ainda está na página do Espaçonáutico.
- Houve um período em que a Vela em Brasília se enfraqueceu pois viveu a ilusão que cada um estava só e quando percebemos isto , nos fortalecemos em torno das flotilhas , agora que as flotilhas se fortalecem , não se deve interpretar por isto que um grupo se isola , nós apenas nos agrupamos e todas as flotilhas vão se agrupar também e velejar juntas, solidárias, quem sabe até sob um mesmo rating , poderemos até estar em "barcos separados", mas como na Regata Solitário , velejaremos sempre juntos, apesar da ilusão de estar só de alguns poucos . A Vela de Brasília , nossa "grande flotilha" caminha para uma importante reestruturação e nela ninguém estará só .
Nossos barcos foram esvaziados e pesados recentemente , muitos de nós está relutante em novamente acrescentar peso ao barco , mas eu quero solicitar que na próxima Regata Solitário acrescentemos um pequeno peso aos nossos barcos , pois deixaremos no cais nossos tripulantes.- Sugiro que cada barco leve para uma caixa de papelão que vai estar no cais do Iate , um agasalho de frio ou um quilo de alimento não perecível , para que até simbolicamente mostrarmos que não estamos sós .
- Aguardamos todos dia 08 de julho na linha de largada em frente ao Cota Mil !
..... de colete salva-vidas é claro .
Um abraço e bons ventos ( ... no máximo até 12 nós ! ) - Ivan Malheiros
- 22-06.2001
- Cerimônia para Mudar o Nome do Seu BarcoNem os mais céticos navegantes atrevem-se a trocar o nome de seus barcos.
Saiba o porquê e, mais importante, saiba como trocar "de maneira segura".Todo mundo sabe que mudar o nome de um barco dá um azar danado e fará você querer esquecer tudo que diz respeito a náutica em geral. Mas e quando você, após meses de procura, encontra o seu sonho em forma de barco batizado com um nome insuportável para as suas convicções ou que será motivo de risos ao pronunciá-lo no rádio; ou pior ainda, com o mesmo nome da sua ex-mulher, com a qual a sua atual desconfia que você "anda tendo um caso"?Mudar o nome de um barco deve ser encarado como um processo doloroso. Desde os tempos antigos, os navegantes sabem que existem "barcos azarados" e, entre esses, os mais azarados são os que desafiaram os deuses e trocaram de nome.De acordo com a lenda, todo barco é "inscrito" pelo nome no Livro das Profundezas, uma espécie de registro de nascimento, e é conhecido pessoalmente por Poseidon e Netuno, os deuses do mar. É natural portanto que, se queremos mudar o nome de um barco a primeira coisa que deveremos fazer é excluí-lo do Livro das Profundezas e da memória de Poseidon. Este é um processo trabalhoso que começa pela remoção de qualquer traço do antigo nome. Isto é essencial é deve ser conduzido escrupulosamente.No processo de remoção do nome, é aceitável que se use algum tipo de tinta corretora, muito usada nas máquinas de escrever de antigamente, para apagar o antigo nome dos livros de bordo e outros registros escritos. É recomendável, no entanto, a simples eliminação dos livros e papéis que contenham o nome antigo. Não se esqueça das bóias e do nome gravado no costado. Em nenhuma hipótese carregue a bordo qualquer coisa que exiba o novo nome até que todo o processo de purificação esteja terminado.Quando você estiver certo de ter eliminado todos os vestígios do nome antigo, prepare uma chapa de metal com o antigo nome escrito com caneta hidrocor (tinta solúvel em água). Você irá necessitar também de uma garrafa de champagne de boa qualidade. Como se trata de uma ocasião solene, convide seus amigos para servirem de testemunhas.Comece o ritual invocando o nome do soberano das profundezas como a seguir:"Oh poderoso soberano dos mares e oceanos, a quem todos os barcos e nós que nos aventuramos em seus vastos domínios somos obrigados a prestar homenagens, lhe imploramos na sua imensa graça que elimine definitivamente de seus registros o nome (insira aqui o antigo nome do barco) o qual deixou de ser uma entidade em seus domínios. Como prova disso, nós submetemos esta chapa que o ostenta para ser corroída por seus poderes e, para sempre, banida dos mares (Nesse momento, jogue a chapa com o nome antigo no mar, pela proa do barco). Em agradecimento por sua generosidade, nós oferecemos este brinde a sua majestade e a sua corte (derrame pelo menos metade da garrafa de champagne no mar, observando o sentido de leste para oeste; o restante pode ser oferecido aos amigos que serviram de testemunhas)"É usual que a cerimônia de batismo do novo nome seja executada imediatamente após o ato de purificação. Pode, no entanto, ser executada a qualquer tempo após esta cerimônia. Para o batismo, você irá necessitar mais champagne. Na verdade muito mais por que você terá mais alguns deuses para agradar.Continue o batismo clamando por Poseidon como a seguir:"Oh poderoso soberano dos mares e oceanos, a quem todos os barcos e nós que nos aventuramos em seus vastos domínios somos obrigados a prestar homenagens, lhe imploramos na sua imensa graça que registre nos seus livros esse valoroso barco, daqui em diante e para sempre chamado (insira o novo nome), guardando-o nos seus poderosos braços e tridente e garantindo sua segurança e breves singraduras através do seu reino. Em agradecimento por sua generosidade e grandeza, nós oferecemos este brinde a sua majestade e a sua corte (Nesse momento, derrame o conteúdo da garrafa de champagne menos uma taça para o capitão e uma taça para sua companheira, no mar, observando o sentido de oeste para leste)"O próximo passo na cerimônia é para acalmar os deuses dos ventos. Isto lhe garantirá ventos favoráveis e mares calmos. Como os quatro ventos são irmãos, é razoável invocá-los ao mesmo tempo sem deixar de citá-los pelo nome.Proceda conforme abaixo:"Oh poderoso soberano dos ventos, sob cujo poder os nossos barcos atravessam indefesos a superfície dos mares, nós lhe imploramos que permita a este valoroso barco (insira o novo nome) os benefícios da sua generosidade, garantindo ventos de acordo com as nossas necessidades".Olhando para o norte, derrame uma generosa porção de champagne em uma taça apropriada e, apontando para o norte declame: Oh Grande Boreas, soberano do vento norte, conceda-nos permissão para usar seus enormes poderes nas nossas singraduras, nunca nos submetendo ao açoite de seu sopro gelado (N.T.: aqui obviamente, o autor se refere ao vento norte gelado do hemisfério norte. Nós, no hemisfério sul, deveremos trocar os dizeres finais pelos do vento sul)Olhando para o oeste, derrame a mesma generosa porção de champagne em uma taça apropriada e, apontando para o oeste declame: Oh Grande Zephyrus, soberano do vento oeste, conceda-nos permissão para usar seus enormes poderes nas nossas singraduras, nunca nos submetendo ao açoite de seu sopro selvagemOlhando para o leste, derrame a mesma generosa porção de champagne em uma taça apropriada e, apontando para o leste declame: Oh Grande Eurus, soberano do vento leste, conceda-nos permissão para usar seus enormes poderes nas nossas singraduras, nunca nos submetendo ao açoite de seu sopro poderosoOlhando para o sul, derrame a mesma generosa porção de champagne em uma taça apropriada e, apontando para o sul declame: Oh Grande Notus, soberano do vento sul, conceda-nos permissão para usar seus enormes poderes nas nossas singraduras, nunca nos submetendo ao açoite de seu sopro escaldante (N.T.: aqui obviamente, o autor se refere ao vento sul quente do hemisfério norte. Nós, no hemisfério sul, deveremos trocar os dizeres finais pelos do vento norte)Use o restante da champagne para iniciar a celebração em honra da ocasião. Uma vez encerrada a cerimônia, você poderá trazer para bordo todos os itens que contenham o novo nome do barco. Se você tiver que pintar o novo nome no casco antes da cerimônia, assegure-se que este somente seja descoberto/revelado depois de encerrado o procedimento. - Este artigo foi originalmente publicado em inglês, em boatsafe.com. Catado na Internet pelo Comandante Roberto Gruner, Pretexto/CDJ, sua publicação no popa.com.br foi autorizada pelo tradutor do artigo, João Carlos, Yahgan, do veleiro.net, em maio/2004.
O QUE É UM VELEIRO ?- Dentre as criações humanas, um veleiro é a que mais se assemelha a um ser vivo.Responde as forças da natureza quase como um animal.É uma cruzamento de peixe com ave, seu casco corta a água com delicadeza e força, suas velas são asas potentes que o impulsionam sem bater.O veleiro sempre oferece nobremente o melhor de si, é um ser instintivo a quem é impossível enganar com ordens erradas que pretendam impor-lhe manobras contra a natureza.Não existem veleiros exatamente iguais, eles possuem alma e personalidade próprias. A personalidade é uma característica que se percebe facilmente nos barcos de madeira, embora muitos barcos construídos com outros materiais também tenham seu próprio caráter que se acentua com o passar dos anos a medida que o barco amadurece e sua personalidade se define.Quase todos os veleiros tem cheiro próprio e o som que produzem é sua voz. Sua alma tem origem na terra e no sol que durante muitas décadas animaram as árvores de cujos troncos se cortaram as tábuas do casco, dos móveis e convés.Se nutre do intelecto, do sangue, do suor e das lágrimas de quem o desenhou o construiu, pintou, forjou suas ferragens, costurou suas velas, - obra de sonhos para ser tratada como um filho.Tem na alma, a esperança, a ansiedade, temores e recordações de todos aqueles que levados pelo vento, com a mão no timão, caçaram as escotas e as adriças. Fundamentalmente invoca a alegria dos bons momentos compartilhados entre os barcos, os homens e mulheres que amam os veleiros e os desfrutam passando a bordo momentos intensos de suas vidas.Nativos da polinésia, grandes navegadores e construtores de veleiros acreditam que objetos criados com arte, tempo e esforço se carregam de "maná"- um valor espiritual agregado. O maná é a melhor maneira que eu encontrei de definir este " não sei o que" tão grande, tão importante, sensação de presença viva que em maior ou menor medida um veleiro sempre nos transmite.
Comandante Hernan Luis Biasotti
Agosto de 2002 - A VIRADA DO CRHYSALIS
- "Acabou acontecendo comigo!Pensei que só fosse acontecer no mar, com ondas e ventos fortes.Ontem, no feriado, sai sozinho no meu microtonner, Chrysalis. A bolina nãoqueria descer totalmente. Achei estranho. Ela emperrou.Mesmo assim, fui velejar sozinho. Felizmente, tenho como princípio, nasminhas velejadas solitárias, seja de micro ou laser, usar o colete. Ajudou.O vento estava forte, com rajadas de tempestade. O barco já adernava muito.Num dado momento, bastou uma bela rajada. Não consegui soltar a vela atempo. Todos falavam que o microtonner vira. E virou. E eu sozinho nele.Ajudou a minha experiência de dezenas de viradas no laser. Imediatamente,sem entrar n'água, subi na bolina. Ela escoregava muito, estava cheia de limo.O receio de perder o barco e afundá-lo começava a tomar conta de mim. Atéque consegui manter a calma. Mas gritava como um louco para doiswindsurfistas virem me ajudar. Eles tentaram, só que dificilmente umaplancha a vela navega a contravento.Só me acalmei quando percebi que o barco se estabilizou mesmo virado com asvelas n'água inclusive o balão que estava no saco pendurado na proa.Olhava para o lado, AABB e Clube Naval e nada. Nessa situação que pareciauma eternidade devo ter ficado uns cinco minutos, talvez até menos. Comventos muito fortes.O socorro até que não demorou. Três marinheiros da AABB, vieram de lancha.Mas nesse momento, não sei se é porque o vento diminuiu o barco começou avoltar.Aí cometi outro erro. Com medo do barco voltar a virar novamente, e encimade mim, joguei-me n'água.Vi-me na situação de estar com o barco já em pé e eu n'água tentando subirme segurando no guarda macebo. E pior. As velas estavam caçadas e elecomeçou a dar seguimento. Eu tentava nadar para a popa e o barco sedistanciava. Nesse momento, pedi ao marinheiro para subir no barco e soltaras velas. Ele fez e o barco parouConsegui chegar na popa e subi no barco tremendo. Não sei se foi de cansaçoou de nervoso. Nesse momento, chega o segundo socorro. Edmar e Gabrielvieram com a lancha Miss Ingrid que me rebocaram até o Clube Naval.Constatei os estragos. Nenhum. Felizmente, apenas as minhas tralhasreviradas. Por falta de um box, elas ficam todas lá. Parafusos e rebites dacaixa de ferramentas estavam por todo lado. Tudo espalhado. E íncrível. Nemuma gota d'água por dentro. Só o susto.No Clube, empreendi uma investigação para saber porque a bolina não tinhadescido. Subi e desci até que constatei que um cabinho, que caiu dentro dacaixa de bolinha a tinha emperrado.Constatei também que não tinha colocado a trava da bolina. Poderia ter sidopior, se a bolina tivesse descido pelo lado superior na virada. Teria sidomuito mais difícil retornar o barco na posição normal.Foi bom ter acontecido isso tudo. Aprendi muito.1º Nunca mais velejo com a bolina suspensa, mesmo um pouco. Bolina retrátilno micro levantada, só serve para viagem ou encalhe. Muitos velejam com abolina levantada no través e no popa. É um risco.2º colocar sempre a trava da bolina.3º Em solitária, velejar sempre de colete (isso eu já faço).4º Se virar, subir na bolina e se colocar mais na ponta possível paraformar alavanca. E quando começar a desvirar subir imediatamente no barco edescaçar todas as velas.5º Estou pensando seriamente em deixar um cabo de uns 10 metros na popa,solto n'água. Caso caia, tenho por onde segurar se o barco tiver seguimento.O pior de tudo será me livrar do trauma. Só espero não ficar com medo dequalquer adernadinha. Já estou tentando me livrar do trauma da quebra domeu mastro, que também aconteceu nas porradas de vento.Ou será que virar o barco será algo normal daqui para frente? Como é nolaser. Quando encalhei pela primeira vez, perto da ilha, achei que era ofim do mundo. Hoje, encalho até brincando.Enfim. Uma conclusão. O Micro realmente vira. Mas no porradão (com a bolinasemi-levantada). Mas ele desvira também."Ivan Marinovic Brscan
- Ola Pessoal.
- Aproveito este espaço para contar um fato real do amigo Ziguinha.
- Velejador experiente, que mostra em seu relato a diferença entre SER JOVEM e SER EXPERIENTE.
- Espero que apreciem e aprendam com ele.
- "Eu não sou de contar muitos "causos" pois às vezes as pessoas acham que você quer aparecer, mas tenho um interessante em relação ao auto-connhecimento.Em um campeonato mundial de monotipos, eu vinha disputando posições no primeiro través e estava prestes a dar o jibe para montar a segunda bóia.
- Havia 2 barcos tentando o compromisso por dentro, de forma a me pedir água na bóia. A velocidade do vento estava prá lá de 30 nós!. Eu olhei para a bóia e vi que não haveria uma vaga de onda ideal para que eu pudesse surfar e "jibear" junto à bóia com velocidade e pouca pressão na vela. Olhei para os dois concorrentes e vi que eram dois garotos bem afoitos e que vinham dando mais tranco na escora que Vemagueti na subida do Colorado. Na hora pensei - É banho na certa e com direito a enrosco de cabos e mastros - Eu então dei uma discreta orçada para provocá-los a entrar em compromisso, dando a impressão de que tinha sido vencido no embate e que teria que dar água para os dois.
- Mas realmente a experiência nesse momento falou mais alto que a juventude. Os dois entraram por dentro para pedir água, erraram o jibe e viraram. O mastro do barco de sota-vento ainda deu uma violenta pancada no fundo do outro barco que já estava virando. Eu, como não vi realmente nenhuma onda alta para "jibear", fiz a manobra mais "manzanza", elegante e segura que existenessas horas, -cambei em roda-. Os dois ficaram para trás."Quando você é jovem você tem certeza de que pode tudo.
- Quando você se torna mais, digamos assim, experiente, você sabe exatamente do que você NÃO é capaz."
- Aulas de Boas Maneiras, Higiene e Valorização do Idoso
- Aula de Veleiro Amador e Disciplina
- Aula de Proteção ao Meio Ambiente
- Aula de Moral e Cívica e Direito do Código da Criança e do Adolescente
- Aula de Boas Maneiras, Higiene e Socialização
- Aula de Educação Sexual e Higiene
- Aula "A Marinha do Brasil"
- Aula de Meteorologia
- Aula de Primeiros Socorros
- Aula de Relação Pessoal e Vida Moderna
- Aula de Adestramento Naval (Infantaria)
- Aula de Navegação
- Aula de manobras com embarcação a motor
- Aula de "O mar e o Brasil"
- Aula de Marinharia
- Aula de Pintura Especial
- Prova final
Lições de Cidadania
Ana Leite & Brena ZanonProgramas voluntários mudam o futuro de meninos carentes do Entorno de BrasíliaLars Grael e Mestre FernandesHá dez anos Edson Nascimento vem navegando outra realidade. Morador do Jardim Ingá, ele trocou as peladas com os amigos e horas em frente a TV pelas aulas de natação e navegação do mestre Fernandes, como é conhecido o suboficial da Marinha de Guerra, Manoel Fernandes Vieira, hoje na reserva. Aos 26 anos, Edson Nascimento é funcionário da TBA Informática, foi aprovado no concurso da Rede Sarah de Hospitais para marinheiro regional de convés e ainda dá aulas práticas de vela para outros meninos, voluntariamente.Edson é apenas um dos mais de 160 meninos que já passaram pelo Programa Mentalidade Marítima, criado pelo Mestre Fernandes. O Programa surgiu em 1985, na casa do Suboficial Fernandes, uma chácara no Jardim Ingá. "Eu via esses meninos aí, sem visão de futuro e comecei a pensar o que poderia fazer para ajudar, para dar uma profissão para eles. Navegar é o que mais sei e o que posso ensinar", conta Fernandes.Para que os meninos tirassem a carta para pilotar embarcações marítimas, Fernandes começou a dar aulas de natação, vela, meio ambiente e cidadania e também aulas teóricas sobre o Regulamento Internacional Para Evitar Abalroamento no Mar (Repiam) e a segurança na navegação.A parte prática do curso era dada no Clube Naval. Por conta própria, Fernandes levava os meninos no fim de semana para o clube. O trabalho começou a chamar atenção do Distrito Naval, pela disciplina e profissionalismo dos alunos.Oportunidade para crescer
Escolinha no CalexEm 1998, o programa foi oficializado com o patrocínio do Comando do 7ª Distrito Naval e da Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar. A ajuda foi mais que bem-vinda. "O que todas essas crianças precisam é de uma oportunidade. Com esse auxílio da marinha, podemos dar uma oportunidade mais concreta", afirma o Suboficial.Com os recursos da marinha, Mestre Fernandes paga o transporte durante os quatro meses do programa, os uniformes - inclusive sapatos - e paga, também, um pró-labore para os monitores, como forma de incentivo.Ainda assim, as aulas iniciais do Programa são dadas na chácara do mestre. Lá, cerca de 100 crianças, todas de família carente, tem aulas de natação, meio ambiente e teoria de regulamentos para segurança no mar. Dos 100 garotos que começam o curso, apenas 20 são escolhidos para passar os fins de semana no Clube Naval, onde acontece o treinamento prático e as aulas de educação sexual, higiene, moral e cívica e outros temas. "Para conseguir uma vaga, a criança tem que mostrar muito interesse e disposição, estar na escola e ter boas notas", garante Fernandes.Triângulo da vida
Uma das lições do Programa, que todos os garotos têm na ponta da língua é o triângulo da vida: lealdade, humildade e honestidade. "Aqui, além de velejar, nós aprendemos que o mais importante é ter amor ao próximo, ser leal e honesto. Nunca mentir", conta Francisco Abimael Pereira, 14 anos, ex-aluno do curso, que trabalha como instrutor no Clube do Exército, durante a semana e como voluntário no Mentalidade Marítima aos sábados e domingos.A outra, não é lição. E não tem preço: a disciplina. "Uma coisa importantíssima nesse programa é a disciplina que eles adquirem. Com a disciplina, conseguimos mostrar o que é bom e o que é ruim e elevar a auto-estima da criança e isso, querendo ou não querendo ela nunca vai esquecer.", afirma Adryani Fernandes Lobo, professora voluntária do projeto.Corrente de Cidadania
O Programa dura quatro meses e vários dos alunos formados nas cinco turmas do curso trabalham em clubes e empresas de Brasília. "O alcance do projeto é enorme. Além do caráter social, de cidadania, os participantes saem com perspectivas de emprego e, o que é melhor, uma profissão", diz o Diretor de Programas Especiais do Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto (Indesp), o iatista Lars Grael.O exemplo de cidadania fica tão marcado que a maioria dos alunos continua no projeto como voluntário. É o caso de Allan Moreira, de 16 anos. Atualmente, Allan trabalha no Clube do Exército durante a semana, mas seus fins de semana tem rumo certo: aulas voluntárias no Mentalidade Marítima. "Eu faço questão de ensinar tudo o que eu sei para quem for determinado. Do mesmo jeito que eu gostei de estar aqui, aprendendo com o Mestre Fernandes, eu acho que os outros também gostariam de ter essa oportunidade, "conta.Além de ser instrutor voluntário, Allan Moreira vai pessoalmente recrutar novos alunos entre a vizinhança. "Eu quero subir e levar sempre alguém comigo. Igual ao que "seu" Fernandes faz por todos nós, ensina.Fernandes se emociona ao ver sua lição tão bem aprendida. "O meu objetivo não é só ensinar esses meninos. O que eu quero é isso mesmo: que eles levem esse conhecimento, essa disciplina para outras pessoas, que eles lancem essa semente na vida," diz.Projeto Navegar
Allan Moreira: ex-aluno do Mentalidade Marítima, trabalha como voluntário nos fins de semana.A semente vem dando frutos. O programa Mentalidade Marítima está sendo implementado em Pernambuco e no Pará com apoio do Governo Federal. Além disso, o programa foi adaptado para ser implementado em todo o interior do País pelo Indesp, com o nome de Projeto Navegar.O Projeto Navegar, que visa a inserção social através da prática de esportes marítimos, não tem fim profissionalizante. Segundo Lars Grael, a idéia é ajudar na criação de uma consciência ambiental correta. "Por falta de cultura náutica, muitas besteiras já foram feitas no meio ambiente. Nosso objetivo é evitar que isso aconteça novamente, além de divulgar o esporte náutico", afirma.O Projeto muda conforme as caraterísticas de cada região. "Em cada estado, o projeto tem características próprias. No DF, temos aula de canoagem e barco a vela, no Pará só damos aulas de canoagem. Depende da realidade e necessidade de cada região", explica o diretor.E em cada região, os parceiros são diferentes. O governo federal entra com o material e os professores e cada estado com a infra-estrutura. Em menos de um ano, 120 adolescentes já foram beneficiados. Mas, segundo Lars Grael, "Os projetos sociais só dão certo quando realmente alguém se envolve emocionalmente naquilo, que tenha competência e conhecimento. Temos vários programas sociais no Indesp e vemos que as boas parcerias são aquelas que são dirigidas por pessoas do padrão do Mestre Fernandes", revela.Rumo à Cidadania
Judô é um dos esportes praticados pelos meninos do Varjão.Outro programa que mostra que é possível fazer algo por quem necessita, com o mínimo de recursos financeiros, é o Programa Rumo à Cidadania, desenvolvido pelo Grupamento dos Fuzileiros Navais de Brasília.Iniciado em 98, o programa é voltado para meninos de 8 a 14 anos do Varjão, periferia de Brasília. Com muita disciplina, aulas de natação, judô, atletismo, vela, futebol, moral e cívica, música e reforço escolar, os meninos vão aprendendo que têm capacidade. "A gente procura mostrar que a vida não é fácil, mas que existe toda uma perspectiva para aqueles que lutarem, respeitarem e batalharem. Se eles agirem corretamente, forem disciplinados e lutarem pelas coisas vão conseguir tudo o que quiserem", afirma o comandante do Grupamento, Rui Gutierrez.De segunda a sexta-feira, de março a dezembro, os 40 meninos pegam o ônibus no Varjão e chegam ao grupamento às 7h00. Tomam café, trocam de roupa, fazem o hasteamento da bandeira e começam o treinamento. Às 11h15, eles almoçam e voltam para casa.O sucesso é tão grande, que já tem fila de espera de pais querendo colocar os filhos no Programa. Não era para menos. As notas dos alunos vêm melhorando consideravelmente, isso sem falar na alteração do comportamento. Os meninos confirmam. "Aqui eu aprendi a não mexer com as drogas, respeitar os mais velhos, a ser humilde e companheiro. Agora eu ajudo muito em casa, e quando eu venho pra cá minha mãe fica mais despreocupada. Eu melhorei muito, fiquei mais interessado nos estudos", revela Leandro Ribeiro, 13 anos, há três anos no Programa.Estar na escola é uma das condições para entrar no Programa. Tirar notas boas, nem tanto. "A gente pede que eles tragam também o boletim, mas não podemos exigir nada em termos de escola. O que nós fazemos é aumentar o tempo de reforço quando as notas começam a baixar, e mostrar que sem o estudo a gente não consegue nada na vida", conta o comandante.A resposta não podia ser mais positiva. Os meninos acabam se espelhando no exemplo dos próprios fuzileiros que tem de estudar muito para crescerem na carreira. "Sem o estudo a gente não é nada, se não fosse o estudo, o cabo e sargento não estariam onde estão. Eu quero ser fuzileiro naval, como eles, porque eles são os melhores", anuncia Aclésio Reis Macedo, 13 anos.O trabalho dos soldados é voluntário, eles ficam metade do expediente com as crianças. Mas é tão compensador que muitas vezes, perdem fins de semana para levar os meninos a passeios. "É muito bacana de ver como esse garotos quando tratados com respeito passam a tratar as pessoas dessa mesma maneira", conta Gutierrez.Segundo ele, o propósito do programa é formar cidadãos mais educados, mais parte da sociedade, que se façam respeitar e respeitem.Curso Mentalidade Marítima Programação
básica - Duração: 4 semanas
7/12/2001 - Veja a seguir, trechos das anotações de quinta-feira captadas no web site do neo-zelandês Peter Blake que foi morto em um tiroteio na Amazônia depois de um ataque pirata.

